Aula 3, 23-08-06 O Filósofo e o Poeta (artigo geral sobre a aula)
Pieper, Josef Abertura para o todo: a chance da Universidade, São Paulo, Apel, 1989
Heidegger, Martin, Qu'-est-ce que la Philosophie?, São Paulo, Abril, 1973.Canções (som, letra e tradução)Shakespeare Soneto 129
Gente Humilde
Ho capito che ti amo
Timoneiro
Força Estranha
Past reason hunted and no sooner had, past reason hatedCitações de Platão
República 486a
- Outro ponto precisarás também considerar, se quiseres estabelecer a distinção entre a natureza filosófica e a que o não for.
- Qual?
- Para que não te passe despercebido nela algum traço menos nobre; nada pode ser mais antagônico do que a baixeza para uma alma que se esforça permanentemente para alcançar o conjunto das coisas divinas e humanas em universal.Teeteto 175 a
Porém no caso, amigo, de conseguir ele arrastar alguém para as alturas em que se encontra e de resolver-se este outro a sair das perguntas: Em que te ofendi? ou Em que me ofendeste? para considerar a justiça ou a injustiça em si mesmas e procurar saber em que uma difere da outra ou de tudo o mais, desistindo de aplicar-se a temas como o de saber se é feliz o Rei ou quem for possuidor de montões de ouro, para estudar a realeza, em geral ou a felicidade e a desgraça do homem em universal, em que consistem e de que modo convém à natureza humana adquirir uma e fugir da outra: quando aquele indivíduo de alma pequenina, afiada e chicanista se vê obrigado a responder a todas essas questões, então, é sua a vez de sofrer o mesmo castigo: sente vertigens na altura a que se viu guindado, e por falta de hábito de sondar com a vista o abismo fica com medo, atrapalha-se todo e mal consegue balbuciar, tornando-se objeto de galhofa não apenas das raparigas trácias ou das pessoas incultas em geral, pois todos estes são incapazes de notar o ridículo da situação, como de quantos receberam educação contrária à dos escravos...
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Gente Humilde
(Garoto - Vinicius de Moraes - Chico Buarque/1969 )
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar...
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que "é um lar"
Pela varanda, flores tristes e baldias,
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar...
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Ho capito che ti amo (Luigi Tenco - 1964) - Luigi Tenco
Ho capito che ti amo
quando ho visto che bastava un tuo ritardo
per sentir svanire in me l'indifferenza
per temere che tu non venissi piùHo capito che ti amo
quando ho visto che bastava una tua frase
per far sì che una serata come un'altra
cominciasse per incanto a illuminarsiE pensare che poco tempo prima
parlando con qualcuno
mi ero messo a dire
che oramai
non sarei più tornato
a credere all'amore
a illudermi a sognare
Ed ecco che poi
Ho capito che ti amo
e già era troppo tardi per tornare
per un po' ho cercato in me l'indifferenza
poi mi son lasciato andare nell'amore. Descobri que te amo
Quando vi que bastava um teu atraso
Para eu sentir desvanecer-se em mim a Indiferença e temer que já não viesses maisDescobri que te amo
Quando vi que bastava uma tua frase para que Uma noite como outra qualquer
Começasse por encanto a iluminar-seE pensar que ainda há pouco
conversando com alguém eu afirmei
que nunca mais iria crer no amor,
Nem me iludir, nem sonharE de repente...
Compreendi que te amo e já
era tarde demais para voltar atrás.
Ainda por um momento
perguntei-me pela indiferença
E deixei-me levar pelo amor
...
....
TimoneiroE quando alguém me pergunta como se faz pra nadar
(P. Viola - Hermínio Bello de Carvalho, 1997)
Paulinho da ViolaNão sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levarE quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz o mar em torno do mar
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar
"Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar"Timoneiro nunca fui que eu não sou de velejar
O leme da minha vida Deus é quem faz governar
Explico que eu não navego quem me navega e o mar
A rede do meu destino parece a de um pescador
Quando retorna vazia vem carregada de dor
Vivo num redemoinho, Deus bem sabe o que Ele faz
A onda que me carrega, ela mesma
É quem me traz Força Estranha
(Caetano Veloso)
Gal Costa
Eu vi um menino correndo, eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho e acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada e eu nunca passeiEu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pr'eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte, é a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada que nunca passouPor isso uma força me leva a cantar,
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto, não posso parar,
Por isso essa voz tamanhaEu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
O tempo não pára e no entanto ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo, do fogo das coisas que são
É o sol, é a estrada, é o tempo, é o pé e é o chãoEu vi muitos homens, brigando ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol. E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada, é o sol.
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